Hoje é domingo e esse costumava ser um dos meus dias favoritos na semana. Há muito tempo, foi; hoje já não é mais.
Na verdade, a minha relação com domingos sempre foi de amor e ódio. Quando eu trabalhava em Pinheiro e tinha que viajar para lá todos os domingos a noite, esse era, definitivamente, o pior dia da semana. Eu odiava as despedidas, o drama, fazer as malas e partir para mais uma semana de trabalho em uma cidade na qual eu não me encaixava. Domingos era o dia zero da minha contagem regressiva para voltar para casa e essa apuração era longa, quase que interminável. Eu odiava os domingos pelo peso negativo que eles tinham e pela forma com que ficavam marcados como o momento de me distanciar de tudo que eu amava.
Tudo sempre seguiu assim, até o momento em que os domingos passaram a ser um prelúdio do pior tipo de sentimento. Não era mais o dia das despedidas, mas também não era mais o dia da paz. Era apenas mais um dia, aquela após o sábado e antes da segunda-feira. Passou a ser um dia cheio de nadas e tudo que fazia sentido antes, passou a não fazer agora. Não haviam mais os rituais, as tarefas leves, as saídas descontraídas. Só havia o vazio, o dia mais longo da semana, aqueles cujas horas não passam e nada parece interessante.
Talvez apenas quem tem ansiedade vá conseguir me entender em algum ponto, mas a paralisação do domingo começou a machucar. Domingo passou a ser o vácuo, o dia cheio de abandono, o mais oportuno momento para que ideias e sentimentos péssimos fossem cultivados. Não que os outros dias fossem diferentes – e não são, pois estão carregados da mesmíssima falta de compaixão comigo –, mas sentir tudo isso partir de um domingo tinha um quê especial de tortura, de falta de compaixão.
Hoje, meus domingos são solitários. Acordo tarde para ter que viver menos horas. Não ouço a voz de ninguém e tampouco alguém ouve a minha. Os meus passos pela casa são contáveis, mas, ainda assim, pesados e curtos. Passo o dia calculando as horas e elas parecem infinitas. Levanto e deito, levanto e sento, abro a geladeira e a encaro por dois minutos, fecho e volto para a cama. É deprimente, alguns diriam, mas eu não gosto mais de usar esse termo para definir as situações. Eu digo apenas que é triste e cruel, em certa medida, quando eu resgato antigas lembranças e percebo que nem sempre foi assim. Não, as coisas se tornaram assim e o que mais dói é saber quanto isso é responsabilidade minha.


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